RESUMO DA OBRA DA BÁRBARA CARINE: COMO SER UM EDUCADOR ANTIRRACISTA?

 A BÁRBARA CARINE, MULHER NEGRA, BAIANA, INTELECTUAL, PROFESSORA DO INSTITUTO DE QUÍMICA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA.

Resumido por: Alassam Baldé

A bonita obra de  Bárbara Carine Soares Pinheiro nos convida a refletir sobre como ser uma educadora antirracistas, fazendo uma abordagem refletindo a realidade contemporânea. A autora traz uma reflexão profunda sobre como um profissional da educação deve lidar com o racismo e todo o ato da descriminação racial e sociocultural durante o exercício da sua profissão, referenciando assim o seu percurso e de todo ato da descriminação que ela enfrentou. Entretanto, a partir das suas experiências, reconhecimento dos limites interpostos e dos avanços conquistados no dia a dia e na convivência entre o corpo docente, a gestão, o pessoal administrativo e de apoio às crianças da escola, proponha a educação como ato de socializar com as novas gerações os conhecimentos historicamente produzidos.

O livro considera esse espaço como um lugar central na realização da prática escolar, mas vai além. Ele é compreendido com as discussões teóricas das ciências sociais, humanas e naturais, bem como o campo de estudos das relações étnicoraciais e educação, da decolonialidade e da filosofia africana. Este livro traz uma ampla discussão sobre as questões fundamentais na promoção dos direitos sociais, sem a descriminação racial e todo os tipos de preconceito que possam colocar a vida da pessoa negra em causa perante a sua convivência, sobretudo de colocá-las num lugar subalternizado e muitas vezes negado do trato da questão racial na escola básica e no ensino superior. A autora propôs que a convivência com as crianças, em especial as negras, nos ajuda a nos tornarmos sujeitos e sujeitos sociais melhores, todavia aperfeiçoa-nos no trato com a diversidade étnica e racial presentes em nossas práticas docentes e nas nossas vidas. 

 O presente livro é constituída por 6 capítulos, nomeadamente: “eu professor branco, posso ser uma educadora antirracista?” neste capitulo a autora fez uma abordagem de forma detalhada em secções que constituem o capítulo, todavia enfatiza que as pessoas brancas não se racializam, porque elas não entendem/ignoram o que é o racismo e, por consequência, o que é antirracismo, devido ao superiordade que sempre demostram aos povos negros. segundo, é “Um caso de racismo na escola: como atuar?” Neste capítulo, ela aponta que a escola é um complexo social gestado no interior de uma sociedade, que carrega as marcas estruturais dela. Isso não significa que, como a escola reproduz racismo, não há nada a ser feito. Muito pelo contrário: sendo a escola um espaço de reprodução dessas estruturas de opressão, precisamos pensar em mecanismos de superação dessas mazelas também, principalmente por meio do sistema educacional formal. Terceiro capítulo, “Como pensar práticas antirracistas em sala de aula?” destaca que o racismo é um problema social criado pelo ocidente com o intuito de diferenciar, hierarquizar e dominar pessoas. Nesse sentido, trata-se de uma problemática da agência ocidental e o seu reverso, o antirracismo, também.

 

Quarto capítulo, “Diversidade não se constrói, se celebra!” aponta que a coisa mais comum que ela escuta em palestras sobre diversidade é que precisamos construir espaços diversos. Fica refletindo que talvez não seja sobre um processo de construção, pois o mundo é diverso, mas sim sobre processos de entendimento e aceitação da própria realidade social. Quinto capítulo, “sou contra as cotas, pois o necessário é melhorar a escola básica” realça que um discurso recorrente no meio educacional quando o assunto é cota racial é a melhoria da escola básica, como se fossem coisas excludentes: nesse entendimento, ou se implementam as cotas ou se melhora a escola básica. e por fim, o sexto capítulo, “como ser um educador antirracista” realça que o educador, a educadora antirracista é, acima de tudo, uma pessoa consciente de si dentro dos sistemas de opressão que estruturam a nossa sociedade. Ele/ela é aquele sujeito que, em uma sociedade estruturalmente racista, compreende que não há como fugir psicologicamente desse mal social se não destruirmos o racismo em suas bases.

Enquanto uma mulher negra que sofre os impactos do racismo e do machismo, e como profissional da educação consciente do peso do currículo escolar nas nossas trajetórias, ela tomou uma iniciativa desafiadora. Idealizou e construiu coletivamente uma escola engajada, emancipatória e antirracista. É preciso ler o livro e saborear as palavras escritas em cada página. Mas o que é mais interessante não são os relatos em si. E, sim, a reflexão de que as práticas pedagógicas construídas são possíveis porque há uma filosofia, um projeto pedagógico que prima pela decolonialidade e pelo antirracismo e os faz dialogar com as orientações normativas e curriculares exigidas para toda e qualquer escola brasileira.

O livro nos mostra quão coloniais, ocidentais, repletas de dicotomias, binarismos são as nossas práticas escolares e curriculares. Não basta só analisar, produzir artigos e livros que denunciem essa realidade. Já temos muitas produções assim e não nego a sua importância. Ela reafirma algo que já sabemos, mas sobre o qual não devemos parar de refletir. O racismo não é desconstruído sozinho. É preciso que essa desconstrução se dê também em relação a outros fenômenos perversos.


Referência Bibliográfica:

PINHEIRO, Bárbara Carine Soares. Como ser um educador antirracista [livro eletrônico]. São Paulo: Planeta do Brasil, 2023. 

 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Resumo do livro "Como Ser um Educador Antirracista" – Bárbara Carine Por: Luiz da Silva Nascimento

RECONHEÇA OS PRIVILÉGIOS DA BRANQUITUDE