Bárbara Carine Soares Pinheiro, mais conhecida como Bárbara Carine, é uma escritora, palestrante e professora efetiva da Universidade Federal da Bahia. É graduada em filosofia e em química, e tem mestrado e doutorado em ensino de química pela Universidade Federal da Bahia. Nascimento: 1987 Salvador, Bahia.
EU, PROFESSOR BRANCO, POSSO SER ANTIRRACISTA?
Neste capitulo, a autora faz uma abordagem muito pertinente sobre o papel de pessoas brancas na luta antirracista e como a branquitude se posiciona historicamente como um padrão universal de humanidade, enquanto racializa os outros como “menores” ou “menos humanos”. No entanto, a autora afirma que a ausência de uma percepção racial entre brancos dificulta muito mais a compreensão do racismo e, de modo consequente, do antirracismo. No contexto educacional, há uma tendência de associar debates sobre relações étnico-raciais principalmente a povos negros e indígenas, sem problematizar a branquitude e seus privilégios. Na vista disso, muitas das vezes os professores ignoram como a ciência e a filosofia eurocêntrica contribuíram para legitimar hierarquias raciais, como, por exemplo, nos escritos de David Hume que autora citou no texto e nos estudos pseudocientíficos que tentaram também justificar sobre a inferioridade negra.
Neste contexto, a autora traz uma argumentação de que a ideia de raça foi historicamente construída para justificar a exploração e dominação, principalmente na perspectiva da escravidão e do capitalismo mercantilista. Porém, a ciência, ao longo do muito tempo, colaborou para desumanizar corpos negros, associando-os à força de trabalho e à reprodução, negando-lhes intelecto e autonomia. Por fim, essa reflexão proposta reforça a necessidade de um olhar crítico sobre a branquitude e seus privilégios, desnaturalizando a supremacia das pessoas brancas e promovendo uma educação verdadeiramente antirracista.
A BRANQUITUDE NOS ESPAÇOS DE PODER.
Neste tópico, a autora discute como a branquitude se manifesta nos espaços de poder e se beneficia de privilégios estruturais, desde o nascimento até a ocupação das posições mais influentes da sociedade. Nesse sentido, a autora nos mostra que a representação branca é dominante em todas as esferas, incluindo medicina, política, ciência, mídia e economia, o que reforça um ciclo de privilégios. Desta forma, faz para perceber que as pessoas brancas pobres encontram mais facilidade para se projetar nesses espaços, pois estão constantemente cercadas por imagens positivas de si mesmas. Entretanto, além do controle sobre os meios de produção e os cursos mais valorizados, a branquitude também se beneficia de narrativas midiáticas que desvalorizam suas ações criminosas e reforçam sua superioridade simbólica.
Na base disso, podemos fazer uma reflexão voltada à realidade do Brasil em alguns cursos como medicina e direito são conhecidos como um dos cursos de privilégio de classe elite no Brasil, sendo que a pessoa de classe pobre para fazer esses cursos tem que trabalhar muito mais, ou tirar nota máxima no processo seletivo do ENEM. Enquanto o filho de classe média pode fazer em qualquer Universidade porque o pai já tem capital cultural, o que pode facilitar a vida do filho nos estudos. Conforme a autora, "os brancos são detentoras dos meios de produção de mercadorias, são donas das empresas, das indústrias, são as pessoas que dominam os cursos universitários socialmente mais valorizados dentro dessa cultura bacharelesca: medicina, direito e engenharia". Portanto, a presença maciça de pessoas brancas no topo das hierarquias sociais fortalece sua autoestima coletiva e perpetua a ideia de que são os "donos do mundo". Com tudo isso, o texto faz denúncia à desigualdade racial estrutural e como a branquitude mantém sua supremacia por meio da ocupação sistemática dos espaços públicos de poder e da produção de representações sociais que naturalizam esses privilégios.
FEITO POR: ALMAMO BICOSSE .
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